Quando vamos fazer as pazes com o tempo? I


Estou sempre com a sensação de estar em disputa contra o tempo. Acordo num sobressalto cansado, com o peito palpitando acelerado. A primeira lufada de ar já sinaliza: o tempo está dez passos à frente. Dói levantar. Na pia do banheiro, os planos do dia criam vida própria sobre a cabeça; os “e se” guerreiam com os “talvez”, mas são vencidos pela urgência dos prazos de “amanhã”. Enquanto os planos se enlaçam, um reflexo desfocado começa a surgir em meio a nuvem de pensamentos acelerados. É a forma de uma mulher com uma escova de dentes na mão. Magra, pálida e com olheiras quase profundas. Atenta, ela me observa do espelho e, por um pequeno momento, sou apenas eu escovando os dentes. Depois o tempo se vai, enquanto o eu volta a se dispersar nessa intensa disputa de correr contra o tempo.


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